sábado, 17 de agosto de 2019

AGOSTO MÊS DE FESTA NO NEPFFE

O post de hoje é para comemorar e celebrar a vida!
Agosto é o mês que damos as boas vindas a nova idade de três fundadoras do NEPFFE.
As três responsáveis para primeira festa de aniversário comemorada no NEPFEE e por tantos projetos originados de nossas primeiras inquietações e reflexões.
Hoje tudo que faço em meus trabalhos pela UNIVASF e pela Comunidade do Vale, tem de alguma forma um toque destas três aniversariantes, me dando a certeza de que Agosto é um mês inspirador.
Parabéns meninas! Desejo muitas Realizações inspiradas na doçura, na sensibilidade e na capacidade de pensar e fazer de cada uma de vocês.
Amanhã, dia 18 de agosto é dia de felicitações para as duas Ros/zes do NEPFFE.
Roseana Pacheco minha parceira de Psicologia do Esporte e de minhas remadas.
Pessoa de humor precioso! A primeira psicóloga formada do NEPFFE, abrindo caminho para tantos outros parceiros de andanças no esporte ou na educação.
Rozelair Barreto, a responsável por me fazer mergulhar do Universo da Educação. Um ser de talento inquestionável para trazer o humano das pessoas ao encontro. Parabéns ao novo ciclo, com o fechamento de outros ciclos da sua formação. Parabéns a mais nova, quase psicóloga!
E aproveitando a foto, o parabéns vai para esta outra pessoainha muito especial, a maior responsável pelo NEPFEE existir. Manu Lima que comemora idade nova no dia 25. A artista oficial do NEPFEE, responsável por quase todas as artes lindas feitas dos nossos eventos, projetos, etc. Mas uma artista também na difícil arte  de compreender o humano, outra psicóloga que o NEFEE tem muito orgulho de ter  contribuído em sua formação.

Minhas parceiras, desejo tudo de melhor, pois vocês são merecedoras de bons encontros!





O NEPFEE deseja  muitas felicidades para vocês por seus dias e sempre saúde, harmonia e boas experiências!

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

O Click do relacionamento humano e redes sociais


Car@s leitores,
Hoje estaremos publicando mais uma produção de uma aluna do 2º período de psicologia. 
Trata-se de um poema escrito pela aluna Clarisse Queiroz que retrata uma interessante reflexão sobre as comunicações nos dias atuais e seu impacto na construção do autoconceito. 



Por Clarisse Queiroz

Online...
Digitando...
Click, click, click
Digitando...

Visualizou, não visualizou?
Curtiu, não curtiu?
Comentário positivo...
Comentário negativo...
Pessoas com ideias de belezas inatingíveis;
Trocando seu eu por uma curtida.

Desafiada dia após dia a me moldar
e me tornar alguém que eu não queria,
busco encontrar no outro
o que eu não encontrei em mim.
Choro arrependida, tentando externar o que tanto doía,
Penso se um dia irei me encontrar;
E quando esse dia chegar poderei mostrar
o que sempre fui um dia.

Tentando superar essa sociedade de relações mal curtidas.
Vivo à espera do dia em que este tal de click
seja simplesmente um click;
para que eu não fique refém de outro click
a espera de alguém que mostre como devo ser.

E assim, nessa sociedade de CLICKS não seja
necessário mudar meu EU para ser o eu do outro.
Espero que eu possa olhar para dentro de mim
e reencontrar o meu maravilhoso click.

Visto por último: Em busca de mim.

quinta-feira, 25 de julho de 2019

O tempo!

O texto de hoje trata-se de uma produção de duas estudantes do 3º período de Psicologia que fizeram para apresentar o trabalho reflexivo com o tema envelhecimento e existencialismo. Com um tom de poesia trazem a necessária reflexão sobre o tempo!




Por Rebeca Reis e Leila Kalinny

Quanto tempo será me dado?
Não faço ideia
Nem poderei jamais saber
E o que posso fazer com o hoje?
Com esse presente em duplo sentido.
Tempo
Dizemos ser incontrolável
"Como a vida é louca!" costumo dizer sempre Se eu não tivesse deixado aquela minha obrigação daquele dia para lá
E dado um rolê na hora proibida
Não teria conhecido aquele meu amigo quase irmão
E toda
E cada uma
Das escolhas pequenas que fiz
Me trouxeram aqui
Sem que eu percebesse
E tudo poderia ser de um outro jeito
Em outro lugar
Com outras pessoas
Com outros amigos
Com outras verdades
Com outros sentires
E o que tem daqui pra frente?
"O tempo está voando" digo sempre
E fico louca
Quando penso: "Tá passando"
Tá passando e o que eu já fiz?
Tá passando e que eu tô fazendo?
Tá passando e o que eu vou fazer amanhã?
Tá passando
E o que me aguarda daqui a uma semana?
Tá passando!
Quem eu serei daqui a 20 anos?
Pensando bem...
 Quem eu sou?
Quem eu quero ser?
Quantos sonhos eu tenho...
Será que vai dar tempo?
Como eu vou estar depois de muitos anos?
Será que terei netos?
Como será minha aparência?
Vou me achar feia?
Como será ter rugas?
Tenho medo
Sinceramente
Não gosto muito de pensar
É angustiante
Mas é natural, não é mesmo?
E é inevitável, não é?
Serei velha um dia.
E como será
 Eu realmente não tenho como saber
Acho que vou cuidar agora
Agora
É a única coisa que eu tenho
Esse momento
E eu preciso ser Aqui Agora
O agora vai construir o depois
E que ele venha.
Provavelmente se eu cultivar
Terei lá nesse depois
Alguns, alguén's para amar
E acho que é suficiente
É tudo.
Ter consciência da morte é o que me permite viver.
Nascemos para morrer e morremos para viver.
Viver é florir, desabrochar, sentir.
É ser no mundo, é ser-para-a-morte, ser-em-ação,

ser-com-os-outros e dessa forma, ser-para-si. 

terça-feira, 16 de julho de 2019

Relacionamento humano e redes sociais: uma história



Mês passado, para a avaliação da minha disciplina de Psicologia Fenomenológica-existencial I, que ministro para o 2º período de Psicologia na UNIVASF, solicitei aos alunos que redigissem um texto fazendo link com o conteúdo estudado e ofereci alguns temas. O tema Relacionamento humano e redes sociais, foi o escolhido pela aluna Jaqueline Souza de Oliveira, que escreveu uma história criativa, sensível e contextualizada com o contexto social que estamos inseridos. Foi um dos textos escolhidos para ser publicados aqui no blog.


por JAQUELINE SOUSA DE OLIVEIRA

 Ana tinha 14 anos e vivia numa fazenda no sertão nordestino onde tinha contato com várias plantas e vários bichos, o seu lugar preferido era embaixo de um umbuzeiro vendo o sol se pôr. A menina estava saindo do Ensino Fundamental e indo para o Ensino Médio, quando ganhou do seus avós o seu primeiro celular, eles tinham o intuito de ajudá-la a ter mais recursos para estudar. Ana aprendeu a fotografar e passou a registrar tudo aquilo que havia a sua volta, o que não poderia faltar, claro, era aquele céu avermelhado de todo fim de tarde. Faltavam 15 dias para começar o seu primeiro ano e ela estava ansiosa pois conheceria novas pessoas, já que havia estudado sempre em uma mesma escola próxima de sua casa.
 [15 DIAS DEPOIS...] Ana acordou e os bichos estavam cantando lá fora, era um dia feliz, seu primeiro dia de aula. A menina pegou sua amada sandália de couro e foi subir no ônibus que passava em frente a cancela de sua casa; 43 minutos depois, estava lá no Colégio Santa Luzia. Com uma mistura de tensão e euforia, sentou-se, passou algum tempo e saiu para o recreio. No recreio, viu um grupo que já parecia bastante entrosado, estavam fazendo fotos.
"Hum... Fotos! Vou pra lá!", pensou Ana.
Ficou próxima do grupo, mas não disse nada. Ouviu uma menina avisar que iria postar as fotos no Instagram, o que deixou Ana curiosa sobre do que se tratava aquilo. Ainda naquela manhã, Aninha fez sua primeira amizade com uma outra menina que parecia conhecer muito bem aquele mundo novo.
"Ei, o que é esse Instagram que as pessoas postam fotos aqui?", perguntou Ana.
"É uma rede social onde se publica fotos, vídeos e até dá pra conversar", respondeu a moça.
Ana ainda interessada, pediu que a amiga lhe contasse mais no dia seguinte, assim a menina fez.
 Ana agora já tinha Instagram e lá publicava todas aquelas fotos que tirava ao redor da sua casa, começou a seguir alguns fotógrafos que apareciam no seu feed explorar - achou estranho aquele número enorme de fotografias de mulheres extremamente produzidas, magras e altas, mas continuou seguindo. Seguiu também algumas garotas do seu colégio que também postavam fotos bem produzidas, não foi seguida de volta por elas, mas aquela amiga que havia feito no primeiro dia a seguiu. Certo dia essa amiga comentou que achava suas fotos lindas, Ana ficou muito feliz e agradeceu, mas, ao passar pelo corredor, ouviu:
"Olha a que só posta foto de roça", a frase foi seguida de risos.
Ana não entendeu muito bem, mas, ao ouvir outras vezes coisas parecidas, passou a sentir-se estranha e já não queria mais fazer as fotos que fazia, nem usar a sua amada sandália de couro. Sua amiga percebendo a mudança repentina, decidiu ouvir sobre toda aquela mudança. Depois, decidiu contar-lhe sua história.
 Ela se chamava Carol, tinha 19 anos e quando pequena via diversas fotos que a sua mãe guardava, era uma fã de Sebastião Salgado que havia sonhado em ser fotógrafa mas que desistiu após insistência do seu pai de que aquilo não daria em nada e que ela deveria ser uma advogada, assim ela fez. Carol sonhou como a mãe e, assim como ela, também ouviu de muitos que não daria em nada. Carol repetiu alguns anos na escola e depois os "não vai dar em nada" só pioraram. Assim como Carol havia feito, Ana também a ouviu prontamente e voltou para casa pensando naquilo. Teve uma ideia:
"Carol, quer fotografar comigo no terreiro de casa?", perguntou Ana no dia seguinte.
Carol foi e elas fotografaram aquele mundo que parecia ainda mais gigante, cheio de pássaros, árvores e aquele sol se pondo que parecia o mais lindo do mundo.  Elas revelaram as fotografias e colaram nos postes da cidade, aquela cena de fotos reveladas viralizou na internet e as meninas foram chamadas para uma exposição numa galeria da cidade vizinha. Foi incrível, eu me senti em outro mundo, mas... Quem sou eu? Eu sou o avô da Carol, a ouvi empolgada falando para sua mãe sobre a exposição, resolvi ir e foi como se estivesse vendo o mundo pelos olhos daquelas mulheres, entendi e vivi aquele momento da forma mais despida possível.

 Hoje, anos depois, uma palestra do Amatuzzi me fez refletir e querer escrever essa história. Em um momento ele disse assim:
"A vida, se vivida em plenitude, será um processo pessoal. Mas as vezes é preciso uma ajuda para desemperrar esse processo. E isso será, mais, uma questão de desaprender os modos que se tornaram bloqueadores, para que a vida possa se manifestar novamente".
Eu aprendi que vencer na vida é ser um médico, advogado ou engenheiro, mas, no dia em que eu me deixei ver o mundo como aqueles olhos brilhando de euforia viam, eu entendi que vencer na vida é ser, simplesmente ser como se é.


quarta-feira, 10 de julho de 2019

Apresentando os Com-versantes

Chegou enfim o dia de apresentar aos nossos leitores quem é quem no Com-versando.

Depois de 15 meses de existência e algumas mudanças vou contar um pouco sobre as pessoas que tecem este lindo projeto com muita atenção, sensibilidade e comprometimento.
Todos plenos na diversidade, cada um trazendo seu tempero existencial, fazendo com que o com-versando tenha um pouco da cara de todos, misturados com as caras da comunidade... 
Um projeto feito por gente, com pessoas que constroem ações de cuidado no ambiente escolar.
Vou apresentar nossos com-versantes por um texto construído por cada um dos nosso integrantes e uma foto deles escolhido por eles e uma foto que eu que escolhi (o momento eu sacaneando com eles rsrsrs)
Vou começar me apresentando.
Sou Erika Epiphanio, professora do colegiado de Psicologia da UNIVASF e coordenadora do Projeto Com-versando.
Sou psicóloga e educadora, logo falo de dois lugares que se juntam em um olhar de cuidado ao outro e desenvolvimento humano, coisas que me movem em minha trajetória profissional e pessoal. Minha formação em uma perspectiva fenomenológica, me mantém atenta aos aspectos relacionais, hoje meu foco de atenção em meus estudos e práticas na psicologia.
O projeto Com-versando surge como a concretização de um sonho, pois com este projeto levamos à comunidade ações de cuidado, diálogo e escuta ao ambiente escolar, ambiente este que se encontra bastante adoecido, como reflexo da sociedade que vivemos.
A Educação tem sido minha chama de esperança que podemos transformar o mundo, em um mundo melhor de se viver, em que as pessoas respeitem a diversidade, se escutem e possam uma estender às mãos aos outros, compartilhando solidariedade e cuidado.
O com-versando me desafia diariamente, sigo aprendendo muito com as experiências vividas junto aos alunos que fazem o dia-a-dia das pessoas da escola Paulo Freire mais recheado de sentidos.

Erika na ponta esquerda, na I Maratona do Cuidado

Silvio Guimarães,  faz parte do grupo pioneiro do com-versando e aquele que dá segurança por onde me arrisco “inventando moda!”. Seu nome é trabalho, o cara é estranho, sensível, competente e sempre topa os desafios.

"O Com-versando pra mim é uma experiência ímpar de afeto e cuidado! Gosto sempre de dizer para quem me pergunta "o que o Com-versando faz?" Que o Com-versando faz! Silvio (estudante do 3º período do Psicologia)
 
Silvio da festas junina de 2019, junto com Thais Teixeira


Tereza Raquel, garota cheia de talentos e sensibilidade,  traz o olhar da comunidade logo no início do projeto. Insere a rima como a conexão com a comunidade, hoje referência no bairro nas batalhas de rimas. A mina arrasa!
Tereza está aí no meio, ela que escolheu esta foto, mas eu escolhi a de baixo, para ver quem é Tereza

"Ainda lembro da surpresa ao descobrir que o projeto atuaria no bairro onde nasci e moro. Creio que nesse momento houve uma ressignificação do que o projeto representava pra mim e das minhas expectativas. O Com-Versando pra mim é como um retorno as origens e antes de tudo serviço, cuidado. Se implicar em buscar novas alternativas de alcançar a comunidade escolar, ensinar a refletir. É como a gente costuma dizer nas batalhas de freestyle  "rima ganha de rima", é necessário superar, buscar novas formas de enxergar o mundo, buscar uma nova rima mais inteligente, respeitar a roda, agir na realidade, mas não deixar de lado o que é da imaginação, as vezes é preciso não "levar pro coração"... é necessário sempre enfrentar. 
Cada integrante desse projeto, cada professor, aluno, o tio do lanche, a moça do dindin, o porteiro e os seus jogos complicados, a gestão, a família e os colaboradores são o Com-Versando.
 E parafraseando o grande rapper brasileiro Sabotage que diz que o "rap é compromisso", ousamos dizer que o Com-Versando é um compromisso contínuo com o cuidado." Tereza Raquel da Silva Santos- estudante de psicologia"

 
Tereza Raquel com Paulinha na festa junina de 2018


Jaciara França, mulher potente, que transita em caminhos de luta e envolvimento político-social. Também pioneira do com-versando. Hoje uma das principais escutas na escola, em ações de plantão psicológico e na liderança do GT-Jornal.


"Olá me chamo Jaciara França Gama, sou estudante de Psicologia na UNIVASF, componho o quadro de com-versantes a mais de um ano e também estou como estagiária no Plantão Psicológico na mesma escola que o Com-versando atua. Sou apaixonada por esse Projeto ele deu maior sentido na minha formação em Psicologia e acredito na potência que ele possui para todos os contemplados com nossas ações.  Por meio do cuidado e do diálogo levamos para o ambiente escolar um olhar humano e sensível às questões que vão emergindo.  Somos escuta, atenção, afeto e lutamos por uma educação que pense o estudante de forma holística." 

Jaci com Aldrim (parceiraço do projeto na I Maratona de Cuidado em 2018)


E na escuta também temos a Paulinha, que também  fez parte do primeiro grupo do projeto. Já deu seu toque nas danças e relações construídas na escola e atualmente está apenas como plantonista do projeto, mas atenta e colaborativa a tudo que tem “com-versa” da escola.
Paulinha segunda da esquerda para direita ao lado de Erika, Jaci, Tereza, João e Silvio na Tenda Com-versando na I Maratona de cuidado

"No fim do ano de 2017, com interesse em experienciar uma prática que fizesse sentido para mim, junto a pessoas completamente diferentes nos disponibilizamos e assumimos o compromisso de construir o Com-versando.


Sintonia. No grupo, o que faltava em um, no outro sobrava. 
Na escola, o que  nos propúnhamos a levar, era o que precisava ser pensado e construído... Cuidado, atenção e abertura, para pensarmos a forma que as relações se davam.
Eu, mãe, penso o Com-versando como um filho. Filho esse, sonhado e planejado, com responsabilidade e afeto.
Posto no mundo, sem controle do como se daria, mas numa abertura imensa aos encontros e às experiências. Criado para o mundo, para crescer, voar. Com uma preocupação constante. Cuidando, para o cuidar.
O Com-versando me transformou profundamente, por me oportunizar aprender coisas que não estão nos livros. O saber fazer fazendo. Diante das dificuldades concretas, nos reinventamos, na busca de possibilidades saudáveis de dar conta, na medida em que podemos, do sofrimento humano.
Fazer parte do Com-versando, além de estar na escola como plantonista, é um grande privilégio. Me chamo Ana Paula e sou estudante do décimo período de psicologia."
Paulinha com Silvio, Jaci, Luis e Pedro



Em agosto de 2018, tivemos uma nova seleção para o projeto e com isto nossa família cresceu e pudemos estender nossas ações para o turno da noite, ficando agora com os três turnos de funcionamento da escola com ações de cuidado e escuta no ambiente escolar.

José Luís encantou o primeiro grupo de com-versantes de cara, tanto que driblou a regra que tinha que ser estudante do segundo período para frente (quando ingressou no com-versando estava no primeiro período de psicologia). Luís um olhar atento ao cuidado, comprometido e motivado, mantem acessa as luzes do com-ver cine, GT que se mantem em sua liderança.
José Luis na seleção do projeto com-versando em 2018

"Quando cheguei no Com-versando no meio de 2018, no auge do meu primeiro período de Psicologia, procurava um projeto que me tocasse, que me fizesse brilhar os olhos e que pudesse ter um impacto relevante para a comunidade de Petrolina. Bom, posso dizer que minhas expectativas foram supridas.


De início tem sempre aquele impacto de começar algo novo, como eu tinha pouca experiência no ambiente acadêmico cada nova reunião e nova formação era um desafio novo, ouvir tantos termos específicos da Psicologia e Fenomenologia me causavam certa estranheza e receio de colocar em prática o que era exposto nos encontros. Cabe ressaltar que o meu contato com a Fenomenologia foi antes mesmo de cursar a matéria, ou seja, era um leigo no assunto. Porém, encontrei um clima de extremo aconchego, onde pude evoluir enquanto estudante e participante do projeto.
Começam as visitas à escola, e com elas a certeza que nosso trabalho era fundamental no Paulo freire, onde nós favorecemos um ambiente de cuidado aos alunos, professores e familiares, que podem, por exemplo, ter acesso oficinas de lazer, plantões psicológicos, rodas de conversa sobre variados temas e tantas outras atividades que estão em andamento. É importante ressaltar, que nenhum valor é cobrado, e todas as atividades os alunos se inscrevem, tendo total liberdade e autonomia. Estar em contato semanal com os estudantes é fantástico, nos causa uma verdadeira noção de como é prática psicológica e como funciona a facilitação de atividades em prol do bem estar na escola. Assim como é possível observar como isso tudo nos afeta em quanto pessoa, pois estamos sempre nos deparando com novas situações que nos engrandecem muito e nos fazem aprender com o projeto.
Por fim, fazer parte do Com-versando é abrir-se para o convívio com pessoas que necessitam de mais espaços de diálogo e amparo, onde é preciso estar junto e se colocar à disposição de se jogar em mundo de atenção, escuta e encontros, que levam não só a ações de intervenção no meio escolar e arredores, mas a situações que estaremos sempre nos deparando com momentos que nos fazem refletir e aprender com base nas vivências adquiridas no projeto"   José Luís 
Luis na festa junina de 2019 (atrás Thais, o querido Rafael E Barbara)


Barbara Mó, também chega encantando, propiciando espaços de expressão nas oficinas do Drama-ação. Disponível e criativa, quando a proposta é atenção à comunidade escolar.


"Sou Barbara Mó Pereira, estudante do 4°período de psicologia da UNIVASF. Busco construir minha graduação ocupando espaços que estejam além da sala de aula, por isso eu vejo que estar no Com-versando é o meu momento de contato com a realidade da comunidade, para então dividir com ela o que estudo e assim entender suas demandas. Colocar-me disponível para ouvir e oferecer cuidado para as crianças da Escola Paulo Freire através da fenomenologia é hoje o meu movimento de resistência. Ao estar dentro da escola me deparo com ambientes e situações muito dinâmicas, momentos de cuidado e acolhimento muito sensíveis, além de desafios que enfrento junto com meus companheiros do projeto, tentando sempre me manter inteira lá. Sinto que cada entrada e saída por aqueles portões de ferro são montanhas russas de vontades, emoções, desafios e luta. E ver possibilidades lá dentro da escola é o que busco pra seguir me transformando e transformando junto com o com-versando

Tereza Teles, uma presença enigmática, que carrega um olhar sensível diante do silêncio.
Tereza Teles no desafio da rima

"Sou Tereza, atualmente cursando o 7° período de psicologia e desde o 4° minhas maiores aproximações se deram com a psicologia no contexto escolar. O projeto com-versando apareceu para mim num momento em que buscava por motivações no meu curso para além dos muros da universidade. São inúmeros os aspectos positivos desse projeto, dentre eles o comprometimento e o cuidado das pessoas que participam dele, a disposição de levar o que construímos dentro da universidade para mais próximo da comunidade externa e principalmente a comunidade que não está a um raio de 2km das dependências dela. Sinto-me pertencente a algo que tem um propósito e uma importância social e dentre todas as atividades que realizei durante a graduação essa com certeza é a mais significativa e a que mais me ensinou. A importância de um projeto como esse em uma escola está no potencial de mudança social que ele possui. A escola é onde me vejo atuando, é onde me sinto pertencente e é onde consigo visualizar a possibilidade de fazer algo factível pelo presente das pessoas para que a perspectiva de futuro exista e seja melhor."


Pedro Cadidé, um estudante de Medicina apaixonado por gente! Um cara comprometido  com o projeto e com escuta das boas!

"O projeto Com-versando apareceu para mim como um presente inesperado. Estava a quase um ano na faculdade e estava desejando muito um projeto de extensão que me aproximasse da comunidade.  Dai, apareceu o Com-versando, como uma notificação no celular e logo essa procura cessou. O projeto é perfeito, exatamente como eu queria, que me inserisse na comunidade e tivesse um significado, propósito real: mudar vidas. Muito bom poder conhecer as pessoas que compõe esse projeto, a vida de crianças em um ambiente escolar e perceber dificuldades que eu sou capaz de enfrentar e transformar em algo positivo, um aprendizado. Educação e cuidado tem sido mais uma busca nesse projeto do que algo que eu tenho levado. O mais incrível é perceber os laços que estão sendo formados e as vidas, que ao pouco, vêm sendo transformadas. O projeto Com-versando é lindo e, apesar das dificuldades, principalmente de deslocamento para mim, é algo que vale a pena, que me sustenta.Pedro Cadidè



Pedro cuidando e sendo cuidado por outra grande parceira do projeto, dona de mão de fatas a fisioterapeuta Aline Geres.


Leonardo Vitor é o bolsista do projeto, alguém que não tem medo de me acompanhar. Também morador do bairro e egresso da escola que atuamos, assim como Tereza Raquel, uma presença que nos conecta com a comunidade!

Leo bem ao centro na ação feita no bairro São Gonçalo, no evento Extramuros em defesa da Educação

"Eu sou o Leo e estou no quinto período de psicologia. O Com-versando surgiu para mim como uma forma de retorno a uma realidade já vivida por mim. Levar as atividades propostas pelo projeto, assim como, qualidade de vida para uma comunidade que faz parte da minha história, me motivou de tal forma que hoje me sinto enormemente grato a todos os amigos do Com-versando que juntos desenvolvemos esse trabalho magnífico. Levar cuidado para a periferia é hoje o que faz sentido para mim, e essa é a minha intenção, contribuir para que pessoas sejam cuidadas."
Leo na primeira confraternização do com-versando



A seguir vou apresentar as três novas integrantes do projeto, ingressaram no início deste ano e já estão fazendo a diferença.

Thais Teixeira  chegou... chegando! Logo mostrou a que veio, e o projeto ganhou um novo e cuidadoso olhar.
Thais e o encantador Jhon na ação extramuros

"Meu nome é Thaís Albuquerque, sou estudante de Psicologia da UNIVASF e sinto que participar do Projeto Com-versando é algo que verdadeiramente me move. Entrei com o intuito de buscar algo do qual eu possa fazer parte, trazer alguma mudança. O projeto me proporciona conhecer a realidade de crianças, jovens e profissionais da educação de uma maneira presente, disponibilizando acolhimento, escuta e cuidado e isso é algo que me afeta de uma maneira que me impulsiona a continuar fazendo o que fazemos.  


Junto com a Bárbara, produzimos na escola a oficina ‘’Drama Ação’’, que consiste em atividades e dinâmicas que permitem que os alunos explorem suas emoções, sentimentos, expressões corporais e também o respeito individual e em grupo.
Mesmo não sendo pioneira, é gratificante e uma honra fazer parte desse projeto junto com colegas incríveis e que me receberam com um verdadeiro cuidado, além de ver o avanço de cada um na escola, seja no papel de aluno, professor, direção, ou simplesmente no papel de ser."


Nossa mascotinha Taís Maceda, um encanto de garota, que se conecta com tanta facilidade que dá tempero de quem já é veterana.


"Olá! Sou Thaís Macêda dos Santos, estou no 1° período de Psicologia - Univasf.
Meu interesse em participar do projeto Com-versando nas escolas se dá por conta da tamanha importância que considero ter o projeto. Tanto pelo auxílio prestado aos jovens, as mães e aos profissionais da educação, em um ambiente que precisa cada vez mais de cuidado, que precisa realmente ser 'ouvido', - digo isso pela minha história, e necessidades que tive quando nessa fase, e por observar que essas necessidades perpetuam nessa nova geração -, quanto pelo aprendizado que obteremos desse intercâmbio com uma outra realidade, que nos acrescentará tanto no meio acadêmico, quanto no profissional e no pessoal também.” Esse foi um trecho da minha carta de intenção, redigida no meio de 2018. Fui pra lista de espera e tudo bem, continuei com os olhos abrilhantados por esse projeto.
E agora que estou no 3º período entrei no projeto.
 A minha opinião sobre o projeto é a mesma?! É. Mas tem muito mais, é sempre mais.
Disse esses dias para alguém muito especial que tudo tem a ver com o Com.versando (a pessoa e a frase): “Querendo ou não, mantém a chama da verdadeira psicologia acesa em cada um de nós que acredita nisso tudo.”
O COM.VERSANDO É MUITO MAIS, e eu sou Thaís Macêda, estudante do 3º período de Psicologia da UNIVASF."


E ainda temos a nossa mais nova aquisição a documentarista FERNANDA WALENTINA, sensível e discreta.
Walentina a primeira a direita ao lado de Silvio, Jaci e Luis. 

"O Com-versando chegou na minha vida como um desafio, concretizando os planos que tracei antes mesmo de iniciar no curso de psicologia.


Alguns meses antes de começar a faculdade me envolvi na área do audiovisual e do cinema, e fiquei curiosa em entender como poderia unir essas duas áreas, foi aí que chegou o Com-versando 
com a proposta de um documentário, trazendo uma oportunidade concreta dessa junção, 
E encarar esse desafio enorme de produzir meu primeiro Documentário, me envolvendo com esse projeto tão rico e tão lindo, está sendo incrível e provocador.
E espero que em breve possa mostrar os resultados desse trabalho!!" mas temos uma palhinha do trabalho desta talentosa e sensível com-versante no final do post. 


Não posso deixar de dar uma palavrinha sobre o João Paulo Leite. Não está mais no projeto, mas foi um dos seus idealizadores e alguém que se doou muito ao projeto e deixou saudades.
Pedro e João na II maratona de cuidado





sexta-feira, 21 de junho de 2019

FenoVale: o evento de Fenomenologias que acorreu no Vale do São Francisco

Por Erika Hofling Epiphanio

Caros leitores,
Como sempre estamos bem atrasados em nossas publicações, pois são muitas ações para contar e o “velho” e “bom” tempo nos pregando peças .... cada vez os relógios parecem mais acelerados, aff!
E para não perdemos mais tempo, vamos ao texto de hoje.

Hoje vou compartilhar com vocês algumas experiências do FenoVale, o Encontro de Fenomenologias do Vale do São Francisco, que ocorreu nos dias 30 e 31 de maio e 1 de junho em Petrolina, na UNIVASF, que o NEPFEE foi um dos realizadores. 

Foi um evento marcado por grandes encontros em um clima de festa, com profundidade de conteúdos e com muitos afetos.

De antemão já peço desculpas por não conseguir relatar tudo o que ocorreu, falar sobre todas as mesas, mas por estar na organização do evento corri mais que maratonista, me impedindo de estar atenta em todos os espaços e também por já ter passado alguns dias, minha memória já foi atropelada por tantas demandas, mas alguns destaques serão trazidos deste texto.

E vamos lá, contar um pouco do evento que  movimentou Petrolina nestes três dias, em que tivemos lágrimas derramadas em apresentações que tocaram a platéia e os convidados, como no trabalho apresentado por Suely Emilia da UFPE de Garanhus na mesa sobre saúde mental, que nos abrilhantou  com relatos afetivos de experiências  de uma psicologia que vai fundo onde o povo e a dor habitam, juntamente com falas expressivas e afetivas de Silvia Moraes e Barbara Cabral e Vera Cury.
Teve papo sério também sobre Educação na mesa dialogada por Clara, Marcelo e Melina.
E falando em Educação,  a formação também foi debatida em um espaço em que se pensou a Formação em Psicologia para a prática em instituições públicas, diálogos promovidos por Barbara Cabral, Darlindo Ferreira e Carmem Barreto.
O corpo se fez presente na mesa com Marcelo de Maio Nascimento, João José e Leo Nepomuceno, que teve até um momento de relax.


Houve muita diversão propiciada com os jogos dos cartões, trazidos por Marta Magalhães que nos presenteou com os cartões oficiais da FIFA e nos proporcionou boas risadas nos momentos de "controle" das falas. E falando de Marta, esta gigante no mundo da Psicologia do Esporte com arbitragem nos contou da Gestaltterapia  aplicada em um contexto nada convencional, mostrando que a Psicologia pode estar em todos os espaços, promovendo cuidado e acolhimento às pessoas, sejam elas atletas, árbitros, na educação e na clinica,  gente como a gente!


Teve também um divertido Show de prêmios com nosso querido Fagner, egresso da UNIVASF que se fez tão presente em nosso encontro. 
Nosso encontro teve Arte e Cultura, mostrando um pouco do sertanejo nos intervalos para o café, que teve música, poesia, dança e forró para encerrar com todos dançando ao som de Romerito.


Um destaque que não podemos deixar de apontar foi a presença ilustre do grande Mauro Amatuzzi, que teve presença de celebridade, que todos queriam uma foto ao seu lado. Afinal ter em um encontro as palavras sábias deste grande pensador, falas que tocaram o coração de todos é realmente motivo de tietagem.

Teve gente que veio de longe para estar no evento, como esta galera de Irecê!

E voltando a falar de palavras, uma mesa sobre escuta merece um destaque, em que tivemos Mauro Amatuzzi, Cristiano Barreira e Shirley Macedo dialogando.
Ainda recebemos Ana Santana e Adriano Holanda em uma discussão potente sobre a construção de conhecimento.
Foram três dias de diálogos potentes, nas mesas, nas apresentações de trabalho, nos corredores e nas mesas de restaurantes, deixando-me com cabeça a mil nestes dias.



Destacamos também a comissão Bem-estar sob o comando da querida Silvia Moraes que arrasou nos quitutes e na decoração!


Recebemos muitos elogios após o evento e o melhor é que saio desta experiência com a sensação de missão cumprida, mas sem dúvida transformada pelo que foi vivido, conversado e compartilhado nestes dias.
Para finalizar só tenho a agradecer a todos que participaram da comissão organizadora, todos foram fundamentais para o sucesso do FenoVale e agradeço aos participantes que confiaram e investiram nesta rica experiência.
Sem dúvida, o FenoVale marcou a história da Fenomenologia da UNIVASF, mostrando que é possível trabalhar sério, com cientificidade, ética e acolhimento, tudo junto e misturado como a Fenomenologia nos ensina.


A seguir o vídeo produzido por Fernanda Walentina, que com grande sensibilidade registou alguns momentos do FenoVale.